O ponto central de nossa fé é a pessoa e a prática de Jesus de Nazaré. Ele nasceu, viveu, morreu e ressuscitou no contexto da dominação romana. A independência que os Macabeus tinha conquistado durou pouco tempo. Em 63 a.C. as tropas romanas do general Pompel impuseram um novo domínio sobre Israel. Inicia-se mais um longo período de subjugação do povo ao temível e implacável poder romano. A violência corria solta. Multidões de assassinados e escravizados eram vítimas do terrorismo que Roma impunha às nações com a ajuda dos poderes locais. Grande aliado de Roma, em Israel, foi o rei Herodes, que o Evangelho de Mateus apresenta como um assassino sem escrúpulos, como o faraó do Egito (Mt 2,13-18)

 

Conforme a feliz expressão da Epístola de São Pedro, é urgente que os cristãos dêem ao mundo “a razão de sua esperança” (1Pd 3,15). Nossa fé não se firma numa certeza ou obediência cega; por isso, é preciso esclarecê-la, descendo fundo em suas raízes, abrindo-nos através do diálogo a novas perspectivas, com vistas a uma adesão sincera, madura e mais comprometida. Uma fé pouco esclarecida pode, facilmente recair na superstição ou pensamento mágico, na falsa convicção que favorece o relativismo religioso e muitas formas de descompromisso e inautenticidade

 

Portanto, também nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos é proposta, tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé. Ele, pela alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-se á direita do trono de Deus. Pensem bem naquele que suportou tal oposição dos pecadores contra si mesmo, para que vocês não se cansem nem desanimem.

Na luta contra o pecado, vocês ainda não resistiram até o ponto de derramar o próprio sangue. Vocês se esqueceram da palavra de ânimo que ele lhes dirige como a filhos: Meu filho, não despreze a disciplina do Senhor, nem se magoe com a sua repreensão, pois o Senhor disciplina a quem ama, e castiga todo aquele a quem aceita como filho.

Suportem as dificuldades, recebendo-as como disciplina; Deus os trata como filhos. Ora, qual o filho que não é disciplinado por seu pai? Se vocês não são disciplinados, e a disciplina é para todos os filhos, então vocês não são filhos legítimos, mas sim ilegítimos. Além disso, tínhamos pais humanos que nos disciplinavam, e nós os respeitávamos. Quanto mais devemos submeter-nos ao Pai dos espíritos, para assim vivermos! Nossos pais nos disciplinavam por curto período, segundo lhes parecia melhor; mas Deus nos disciplina para o nosso bem, para que participemos da sua santidade. Nenhuma disciplina parece ser motivo de alegria no momento, mas sim de tristeza. Mais tarde, porém, produz fruto de justiça e paz para aqueles que por ela foram exercitados.

Portanto, fortaleçam as mãos enfraquecidas e os joelhos vacilantes. Façam caminhos retos para os seus pés, para que o manco não se desvie, antes, seja curado. (Hb 1,12-13)